Ahmadinejad: Irã tem 3 mil centrífugas de enriquecimento de urânio
O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, anunciou nesta quarta-feira que o país alcançou a cota simbólica de 3.000 centrífugas para o enriquecimento de urânio, em um discurso exibido pela televisão.”Hoje chegamos às 3.000 máquinas para o enriquecimento de urânio”, disse o presidente iraniano diante de uma multidão reunida na cidade de Birdjand, na província oriental de Khorassan do Sul.
O número de 3.000 centrífugas constitui um módulo que permite, em tese e desde que tenha um excelente funcionamento, obter quantidade suficiente de urânio altamente enriquecido para uma bomba atômica em menos de um ano.
Ahmadinejad não disse se todas as centrífugas estão em funcionamento. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou, no final de agosto, que o Irã tinha 1.968 centrífugas funcionando e que outras 656 estavam sendo testadas ou em curso de instalação.
O enriquecimento de urânio está no centro da crise sobre o programa nuclear iraniano. O Conselho de Segurança das Nações Unidas exigiu a suspensão da atividade em três resoluçõee, duas delas acompanhadas de sanções.
Os cinco membros permanentes do Conselho e a Alemanha advertiram que tentarão aprovar uma nova resolução que aumente as sanções se Teerã não obedecer as exigências.
O presidente iraniano, cuja autoridade é menor do que a do guia supremo, o aiatolá Ali Khamenei, voltou a rejeitar qualquer concessão nesse sentido.
“O Irã não concederá qualquer crédito a essas resoluções”, afirmou Ahmadinejad, que classificou as medidas anteriores como “pedaços de papel”.
O presidente também minimizou o alcance de eventuais sanções adicionais contra o Irã, assegurando que a “nação iraniana ri dessas sanções”.
O Irã considera que o desenvolvimento de seu programa nuclear é um direito inalienável, mas as grandes potências colocam em dúvida a natureza de seus objetivos e exigem a suspensão das atividades mais sensíveis.
Teerã assegura que seu programa de enriquecimento de urânio tem ambições puramente civis.
Em uma entrevista publicada pelo jornal francês Le Monde no domingo, o diretor da AIEA, Mohamed ElBaradei, afirmou que o Irã não constitui uma ameaça nuclear.
“Não posso julgar as intenções de se dotar da bomba atômica, mas o Irã precisará de três a oito anos para obtê-la”, disse ElBaradei.
As declarações do diretor causaram irritação em Israel, que defende novas sanções internacionais contra o Irã e acusou Elbaradei de “fazer o jogo dos iranianos”.
“Lamentavelmente existem dirigentes estrangeiros que fazem o jogo dos iranianos, dando sua contribuição para a estratégia iraniana, que consiste em utilizar táticas de retardo. Desse ponto de vista, a Agência e sua direção são culpados”, declarou à AFP Mark Regev, porta-voz do ministério das Relações Exteriores.
Esta ofensiva, classificada como “sem precedentes” pelo jornal israelense Yediot Aharonot, foi lançada com a aproximação da data de publicação de um novo relatório sobre o programa nuclear iraniano, que servirá de base para discussões na ONU visando a um possível fortalecimento das sanções econômicas contra Irã.
Fonte: AFP

Novembro 7, 2007 às 12:09 pm |
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